Cinema Marginal, triunfo da derrota

wilza

 

Monstros de babaloo, 71, de Elyseu Visconti, puro flerte dadaísta, censurado pela ditadura.

A presença do humor corrosivo, por vezes anárquico, expondo um gosto – de fel – pela crítica de costumes. E se a paródia é o próprio discurso fílmico, esta se torna um belo dum mecanismo de criação.

O estratagema aqui é a bricolagem à la com Bakhtin: a redenção de tudo o que é feio, esdrúxulo, à margem. A própria estratégia é a subversão.  A tela suja, a estética do lixo, o carnaval tropicalista, é mais apropriado para um país pós-colonial que duvida e debocha de suas próprias possibilidades.

Triunfo da derrota, por que não?

Na obra, os tipos bizarros são a mais perfeita alegoria da boçalidade brasuca que imperou na era do governo militar.

Um filme que guarda em si o cânone de um tipo de narrativa cujo tempo ficou pra trás.

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