Injustiçados do Globo de Ouro

noturnos

Da esquerda para a direita: Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson e Jake Gyllenhaal em “Animais noturnos” de Tom Ford

 

Em Animais noturnos (16), de Tom Ford, temos Amy Adams, atriz da qual sempre se espera uma faísca de genialidade.

Em quadro, o hiato costumeiro: não nos provoca espanto ou repulsa, ou qualquer surpresa.

Mas eis que brota Michael Shannon: aquele olhar mecânico, aquela voz metálica, que pelo excesso da nicotina, parece um cantor de ópera emitindo sua ária favorita.

Entretanto, a trivial interpretação de Aaron Taylor-Johnson foi a laureada da noite com a estatueta de Melhor Ator Coadjuvante.

Esqueceram, todavia, de Shannon, este sim, memorável, o qual faço questão de endossá-lo ao panteão.

Seu olhar furibundo de quem carrega um câncer nos pulmões, tem um quê da fúria santa de um Prometeu.


Esnobado na categoria Melhor Filme Drama na premiação, o neo-western A qualquer custo (16) é um filme modesto, e que foi a pique nas bilheterias globais.

É uma história banal, mas ao desenvolvê-la, Taylor Sheridan deu à trama um toque de alegria anárquica rara em filmes de roubo a bancos.

A riqueza musical e visual são inesgotáveis. Apesar de surrada, a história como é contada, não perde seu fascínio e horror.

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