“E Deus disse a Caim” (1970)

caim

 

Anthony Dawson, sob o epíteto de Antonio Margheriti foi o mais maldito dos cineastas romanos.

Fascinado com cinema fantástico, filmou de Barbara Steelle a Terence Hill e, no meio do trajeto, dirigiu vários épicos pseudo mitológicos, filmes de terror envolvendo canibais e um sem número de Spaghetti Westerns.

Seu grande momento profissional é o período que vai dos anos 70 aos 80. Desse período destaca-se E Deus disse a Caim (1970), faroeste macarrônico dos bons, com um Klaus Kinski num papel tão assustador quanto fantasmagórico.

Na obra, Margheriti destila elementos de horror gótico à história de O Conde de Monte Cristo de Dumas e ao tema recorrente da vingança – tão cara ao faroeste italiano – acabando por tecer um verdadeiro dark western.

Ao receber um misterioso indulto do governo, Gary Hamilton (Kinski) parte para a desforra numa caçada aos algozes que o prenderam injustamente. Seu retorno tem como metáfora a coincidência da chegada de um tornado causando destruição a uma cidadezinha texana. Kinski projeta o personagem sem mover sequer um vinco de seu semblante riscado pelo tempo e pelo sol, fuzilando toda a vivalma com um rifle de cano serrado. Ora, isso é assassinato a sangue-frio. Mas o registrômetro moral do espectador não se atém ao fato.

Os vilões que o confinaram são agora transmutados em vítimas de sua vingança tartamuda.  É dentro dessa premissa já clássica e deliciosamente batida que o roteiro se desenvolve.

Versátil, Margheriti foi um dos cineastas mais prolíficos deste período do cinema italiano. Fez pilhas de filmes de ficção científica e terror a toques de caixa. No final de sua vida, filmou vários veículos de guerra e ação para o filho do astro Anthony Quinn, Francesco, no Brasil.

Até um gerente de gênio como Quentin Tarantino prestou-lhe franca admiração ao batizar um de seus personagens em Bastardos inglórios (2009) de Antonio Margheriti, como um monumento vivo dos tempos áureos.

Sua morte em 2002 foi o fim de uma época. Com ele, se foi não apenas uma era, mas um anseio de uma certa simplicidade cinematográfica que se tornou aparentemente impossível em nosso tempo.

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