De Zulawski ao Oscar

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Morreu dia 17 último, aos 75 anos,  Andrzej Zulawski, um dos medalhões do cinema polonês. Morreu também um cinema raro que se recusava a refugiar-se à tecnologia para se fazer sentir.  Zulawski foi aluno no célebre IDHEC (Institut des Hautes Études Cinématographiques) em Paris, e voltou à Varsóvia para ser assistente de direção de Andrzej Wajda no clássico libelo anti-guerra, Cinzas e Diamantes (1956). Casado com Sophie Marceau,  Zulawski devotou-lhe muitos de seus filmes como Fidelidade (2000), obra irônica, fatalista e tresloucada em formato de filme.  A Terceira parte da noite (1971) e O importante é amar (1975), dois de seus filmes mais instigantes, ficam-lhe como epígrafe artística.


Vivi o suficiente para saborear Sylvester Stallone sendo laureado com um merecido Globo de Ouro na categoria Melhor Ator Coadjuvante por sua atuação em Creed: nascido para lutar, sétimo filme da franquia Rocky, que traz como personagem principal Adonis (Michal B. Jordan), filho de Apollo Creed, o grande rival de Balboa nos quatro primeiros filmes da franquia. Stallone, que entrega ao público uma atuação memorável, também concorre a mesma categoria no Oscar. O ator ítalo-americano é o favorito para levar a estatueta repetindo a nomeação que recebeu pelo primeiro Rocky, há 40 anos.


O Quarto de Jack, indicado a quatro Oscars, inclusive o de Melhor Filme esse ano, é mais doce do que a brutalidade do caso real em que o roteiro se inspirou. Ainda assim, a premissa é terrível: é a história de mãe e filho mantidos trancafiados em um quartinho roto há sete anos. A mãe é estuprada regularmente pelo seu raptor; o filho, de 5 anos, jamais teve contato com o mundo exterior. Mesmo inspirado no chocante caso de incesto que escandalizou o mundo em 2008, em que o austríaco Josef Fritzl enclausurou e estuprou a filha por 24 anos e teve sete filhos da relação coagida com ele, trata-se de um filme delicado, visto e narrado pelos olhos de uma criança. Uma obra que fala de resiliência, de amor e de superação.

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