Cinema japonês e a extensão do desastre

Nobi
A narrativa de Fogo na Planície (1959) chega às raias do modesto. Desenha-se simples: Após o desbarato dos japoneses na Segunda Grande Guerra, estes erram como um séquito de famintos até a fronteira das Filipinas, como uma frente de resistência.

O filme persegue um deles, de nome Taro, um soldado tuberculoso, que é rechaçado pelos hospitais de campanha onde lhe é negado auxílio por não estar doente o bastante.

A narrativa compõe-se de suas lidas erráticas através de montes de entulho esturricado e de sua busca cega por comida. As “iguarias” vão de capim seco à ervas daninhas – entre outros menus pouco ortodoxos.

Um filme que saltará da trivialidade da cultura massificada a respeito da Segunda Guerra Mundial no cinema por sua crueza, ao passo que em sua estreia foi considerado repulsivo por abordar um tema tão doloroso e fazê-lo de modo tão violento.

Antes de ser um libelo anti-guerra, a obra do cineasta japonês Kon Ichikawa é um filme severo, sobre uma nação aniquilada que vê a si mesma num espelho partido e que mal consegue enxergar a dimensão da catástrofe.

 

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