Faroeste repudiado

terra

 

Terra Bruta (1961), é bangue bangue acima da média, mas que John Ford repudiou.

Segundo o próprio, não gostava do roteiro. O fez, conta-se, como um favor pessoal ao magnata da Columbia Pictures à época, um certo Harry Cohn.

Mas o filme tem no mínimo duas grande sequências.

A primeira é uma longa tomada em que depois de uma extenuante cavalgada  debaixo de sol a pino, James Stewart e Richard Widmark arrancam suas botas empoeiradas e metem os pés quentes dentro da água de um riacho. Ambos ficam assim por alguns instantes de prosa, pitando charutos e trocando amenidades, criando assim uma ciranda de banalidades que chega a nos comover.

Na cena do baile, as mulheres dos ricaços locais curiosas em relação à Linda Cristal, a difamam com mexericos maldosos pelo fato desta estar sendo reintegrada à “civilização”, depois de ter sido mulher de índio.

Na figura de uma dupla de cowboys, Stewart e Widmark, incumbidos de resgatar colonos brancos sequestrados há anos pelos Comanches, Ford concebe uma crítica profunda quanto à maneira tirânica com que a sociedade branca norte-americana trata da readaptação desses remidos que agora confrontam-se à selvageria de uma sociedade dita “civilizada”.

John Ford é a inveja de todo artista.

 

 

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