“Footloose” (1984)

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Em um programa famoso de entrevistas nos Estados Unidos, o ator Kevin Bacon confessou que precisa sempre fazer um pedido aos DJs de todo o casamento em que é convidado: “Por Deus, galera, não toquem a canção-tema de ‘Footloose!'” Segundo o próprio, assim que a música começa, as pessoas esperam ávidas que ele faça a coreografia do filme. “O ponto é que elas esquecem que haviam também bons dublês nos anos 80!”, completa.

Sobre esse ícone do cinema pop que rendeu dividendos vultosos (cerca 80 milhões de dólares em bilheterias em 1984) e revendo-o no cabo, Footloose envelheceu bem.

A película se assemelha a um imenso videoclipe com mais de 100 minutos e onde as músicas não são cantadas ou coreografadas pelas personagens como num musical, mas sim tocadas de maneira diegética ao longo do filme. Dessa forma, retira-se o clima falsete da historia dando ao espectador certa identificação com o enredo.

A história de rebeldia adolescente é batida, onde se reaproveita de um conceito já comezinho na indústria cinematográfica.  Conta-se sobre um garoto (Kevin Bacon) que se muda para uma cidadezinha do interior onde a música é banida e acaba por causar uma revolução por conta de seus “quadris subversivos”.

Ninguém esperava – que eu saiba – que um filme de médio porte da Paramount estrelado e roteirizado por estreantes tomasse tão rapidamente o cetro do palco.

Não há debates intelectuais, o roteiro é quase um papel em branco no quesito “realização artística”, tampouco não se dança no filme, nem de longe, como Fred Astaire. No entanto, o filme não tem rival moderno.

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John Carpenter: B maiúsculo

carpenter

 

John Carpenter, o diretor O Enigma do Outro Mundo (1983) e de Os Aventureiros do Bairro Proibido (1986) é saído da escola do filme B e da televisão. Assim como Brian de Palma e Spielberg.

Halloween  (1978), apinhado de nossas inquietudes mais primitivas, é talvez seu filme mais importante. A obra desconstrói a noção do domicílio como local protegido em uma calma periferia dos Estados Unidos através da câmera subjetiva onde se emula a presença sombria de um psicopata mascarado que se esgueira por esquinas desérticas e pelas frestas dos closets .

Custou-lhe 230 mil dólares e faturou 500 milhões ao redor do globo, conferindo a Carpenter a inclusão de seu nome ao panteão dos grandes cineastas do gênero.

Embora cultuado nos anos 80, seu declínio artístico ficou evidente na década subsequente principalmente diante do equivocado Fuga de Los Angeles (1998), malfadada continuação de Fuga de Nova York (1982).

Nos tempos de “civilização” atraía turbas aos cinemas. Carpenter encontra-se na suprema amargura do exílio artístico. Hoje, é intraduzível para as novas audiências mesmo nas refilmagens. Fato é que toda geração possui um código.

A diferença, ao menos em começo de carreira entre Carpenter e seus patrícios, era de um homem extremamente apocalíptico.

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