A aniquilação de Ava Gardner

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Hollywood começou a se interessar por Hollywood já na era do cinema mudo, e descobriu que a perspectiva por trás dos bastidores poderia ser explorada como tema para suas produções.

Crepúsculo dos Deuses (1950) de Billy Wilder descreve o sepultamento do cinema silencioso e retrata a cidade dos sonhos sem concessões, revelando o que se desconhece por trás da fachada oficial, uma fauna abundante em venalidade e omissão.

Joseph Mankiewicz já havia, com seu A Malvada (1950), tecido personagens em sórdida esgrima ególatra, em que a ruína artística de Bette Davis pela rival Anne Baxter torna-se emblema da imoralidade e mesquinhez do universo do showbizz.

Toda a narrativa deste The Barefoot Contessa (A Condessa Descalça entre nós)  do mesmo Mankiewicz evolui para uma espécie de diagnóstico profundo quanto ao devorador método do Star System Hollywoodiano.

Ava Gardner – no auge da beleza – é uma dançarina espanhola de um clube noturno em Madri, transformada em estrela do cinema e que faz o movimento inverso. Ela gira em torno de um príncipe encantado, um aristocrata italiano, e é impelida à tragédia. Sua meteórica carreira em Hollywood e sua vida pessoal são contadas a partir de seu funeral, em um flashback por um diretor de cinema, interpretado por Humphrey Bogart.

A constante de Mankiewicz é a investigação de como se dá a derrota do herói. Fiscalizando e remexendo seu passado. E para essa investigação, existem parcas maneiras; uma delas exige sua aniquilação.

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