Ingmar Bergman: o ocaso do cinema europeu

rosto

 

Pode-se argumentar sem sombras de dúvidas que Ingmar Bergman foi o maior dos diretores de atores do cinema.

Mais ainda, um dos maiores cineastas que tivemos até hoje e, com alguns lapsos, um grande roteirista.

O Rosto (1958) nos conta a respeito de um ser humano dito como horrendo por todos, o pobre senhor Vogler (Max Von Sydow).

Bergman projeta um texto grandioso e excessivamente sombrio em tela. Sydow como Vogler parece combater a sensibilidade pasteurizada da massa numa fascinante reflexão entre o racionalismo científico e a arte.

Ingmar Bergman, a quem dirigia atores com grande maestria, e que começou montando Strindberg e Shakespeare nos palcos de Estocolmo, sintetizou como nenhum outro artista que os estados de crise e os espetaculares paroxismos da alma se obtém especialmente do rosto humano.

Está tudo lá como sempre em sua obra: a angústia da morte, a arte.

E, contrariando a regra número um do cinema clássico, a câmera se demora muito longamente nos rostos, como se quisesse mapear a alma das personagens e como se pedisse para nós, os espectadores, fartas doses de indulgência, de compreensão.

Depois de rever o filme, fiquei pensando que a história do cinema não poderia respirar sem certos filmes e O Rosto já se encontra incorporado ao panteão das obras essenciais do cinema.

 

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