Os reis da comédia britânica

Monthy

 

Quando A Vida de Brian foi lançado (que é a hilariante história de um hebreu comum, contemporâneo a Jesus Cristo, que ao se unir a um grupo rebelde tidos como terroristas pelos soldados romanos, acaba sendo confundido com o próprio Messias, recusando-se assim a ser seguido e visto como o salvador da humanidade), a trupe inglesa Monty Python, um dos mais representativos grupos de comédia de cinema do mundo, pareciam premonizar o início do fim.

Foi o mesmo ano, 1979, em que a Rainha Elizabeth II convidava, pela primeira vez em seu reinado, uma mulher para formar o governo.

Margareth Tatcher foi eleita primeira-ministra. Seu governo foi pintado com as cores de satã (ela cortou gastos e inúmeros programas sociais foram pelo ralo), privatizou meio mundo, reduziu impostos para os ricos, concentrou a renda de forma descabida e o monstro capitalista comeu de concha.

O resultado, é que logo no primeiro ano de seu governo o desemprego dobrou, greves pipocaram e os súditos raivosos queriam a cabeça de Tatcher em uma bandeja de prata.

Os Monty Python, que mudaram para sempre os paradigmas da época com piadas e situações nonsense  e que satirizavam do fundamentalismo religioso ao modus vivendi pequeno-burguês, já nos ensinavam que é melhor partir para o humor, a forma mais sublimada de agressividade, ou enlouquecemos.

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Willem Dafoe e seu sorriso de gárgula de igreja

dafoe

 

Willem Dafoe quando quer é versátil.

Ruas de Fogo (1984), homenagem aos filmes de delinquência juvenil da década de 50, é de Walter Hill, californiano de Long Beach e que sempre levou muito jeito pra cinema.

Mas quem se sobressai é Dafoe, que dá-nos um animal com um sorriso que lembra gárgula de igreja e que nos mantém na ponta da cadeira com grande fúria, energia e vitalidade.


Tarkovski

O cinema de Andrei Tarkovski não se compara a nada que se mova ou se reproduza sob a face da Terra.

Seu cinema é uma coisa única e rara em sua totalidade. Um movimento metafísico. Um fenômeno específico.

Você pode tentar compreendê-lo, mas no máximo, vai acabar percebendo que a arte em si é algo absolutamente inexplicável.

Quem não consegue assistir aos seus filmes com o coração, com a alma – vide A infância de Ivan e O espelho – nunca entenderá a razão de seu cinema ser tão instigante e perturbador.


O Napoleão do cinema

Revejo um filme pouco visto e também falado de Rod Steiger, Waterloo (1970), no cabo.

Ele interpreta ninguém menos que Napoleão Bonaparte. Sob a sua sombra os outros atores, inclusive gente do quilate de Christopher Plummer, me parecem emocionalmente aleijados, incompetentes. Um gênio.

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Ingmar Bergman: o ocaso do cinema europeu

rosto

 

Pode-se argumentar sem sombras de dúvidas que Ingmar Bergman foi o maior dos diretores de atores do cinema.

Mais ainda, um dos maiores cineastas que tivemos até hoje e, com alguns lapsos, um grande roteirista.

O Rosto (1958) nos conta a respeito de um ser humano dito como horrendo por todos, o pobre senhor Vogler (Max Von Sydow).

Bergman projeta um texto grandioso e excessivamente sombrio em tela. Sydow como Vogler parece combater a sensibilidade pasteurizada da massa numa fascinante reflexão entre o racionalismo científico e a arte.

Ingmar Bergman, a quem dirigia atores com grande maestria, e que começou montando Strindberg e Shakespeare nos palcos de Estocolmo, sintetizou como nenhum outro artista que os estados de crise e os espetaculares paroxismos da alma se obtém especialmente do rosto humano.

Está tudo lá como sempre em sua obra: a angústia da morte, a arte.

E, contrariando a regra número um do cinema clássico, a câmera se demora muito longamente nos rostos, como se quisesse mapear a alma das personagens e como se pedisse para nós, os espectadores, fartas doses de indulgência, de compreensão.

Depois de rever o filme, fiquei pensando que a história do cinema não poderia respirar sem certos filmes e O Rosto já se encontra incorporado ao panteão das obras essenciais do cinema.

 

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