Filme de pastor

O apóstolo

 

Muito além do lugar-comum do já tão defasado filme gospel, existem obras fílmicas (não propriamente evangélicas) que defendem indiretamente certa, digamos, “moral” da cristandade.

Este é o caso de O apóstolo (1997).

Robert Duvall (sempre grande) encabeça certo pastor messiânico que peregrina por terras texanas pregando a palavra do Senhor com singular eloquência.

Num dia mau, sua esposa (vivida por Farrah Fawcett), cai de amores por um ministro mais novo de sua própria igreja. O pregador, apelando para o deus da carne e munido de um taco de baseball, perde a cabeça, e preferindo a lei dos homens à justiça do alto, deixa o rival em coma. Em virtude do fato, o pastor é obrigado a fugir para outras bandas afim de continuar seu legado de vocação como um camelô da fé.

O filme fala de arrependimento e de redenção.

Não há sinal de caricatura na interpretação de Duvall; ele é, em suma e em verdade, um pregador batista de olhos hipnóticos e de fala veemente.

Duvall sempre isento, pinta brilhantemente um retrato fiel de um ser humano complexo.

Sua personagem é a de um homem atormentado, de bíblia surrada debaixo do braço, de verve invejável, cristão e finalmente humano.

 

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