Morre Menahem Golan, o rei dos blockbusters B

 

Golan

 

No Brasil, não se falou como se deveria de Menahem Golan, produtor e diretor cinematográfico israelense dos mais importantes falecido no último dia 8 aos 85 anos em Tel Aviv.

No final dos anos 70, Golan fundou com o seu primo Yoran Globus, a produtora Cannon Films (Golan-Globus), que veio a se tornar uma das mais prolíficas empresas do ramo cinematográfico dos anos 80 produzindo mais de 200 filmes entre actions movies com Chuck Norris a uma versão de Rei Lear assinada por Jean-Luc Godard.

Golan nunca foi visto pela “aristocracia hollywoodiana” como integrante da tribo. Produtor ao velho estilo – assim como Roger Corman – , transformava qualquer pequeno orçamento em acontecimento.

Filho de pais judeus imigrados da Polônia, nasce  em 1929 na cidade de Tibérias (hoje território de Israel), foi batizado de Menahem Globus. A fim e demonstrar patriotismo ao servir a força aérea durante a guerra da independência em 48, passa a adotar o sobrenome Golan.

Com o sucesso estelar da comédia adolescente Sorvete de Limão (1978) emulação parasitária de American Grafitti de George Lucas e do nicho pós-Desejo de Matar de Michel Winner com um vingativo Charles Bronson, é que a dupla de primos deixam de vez o anonimato.

Filmes como: Braddock – O Super Comando (1984), Stallone Cobra (1986), O Grande Dragão Branco (1988), assim como o estilo “B” das produções, as intermináveis sequências de seus filmes e o início do filão dos filmes baseados em histórias em quadrinhos (Superman IV: Em Busca da Paz, [1987], Capitão América – O Filme [1990]), ficam-lhe de epitáfio.


Loiras e Eric Rohmer

Eric Rohmer, uma das figuras centrais da Nova Onda do cinema francês nos anos 60, dizia que não poderíamos amar quaisquer filmes se não amássemos primeiro os de Howard Hawks.

Em Os Homens Preferem as Loiras (1953), o dito de Rohmer é inescapável.

Além de Marilyn Monroe e sua fascinação quase edipiana pelas jóias, há uma Jane Russell em busca de um amor verdadeiro – e se possível de porte atlético.

Mas o que nos assombra nessa obra é a sua sensibilidade moderna mesmo dentro dos padrões da consciência clássica de uma comédia musical dos estúdios da Twentieth Century Fox.

O grande segredo de Hawks: iluminar uma imobilidade expressiva e orgânica.

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Michael Bay, “um homem iluminado”

Bay

 

Michael Bay é um bom diretor de filmes publicitários e videoclipes.

Na publicidade, foi premiado por campanhas da Nike e Budweiser.

Na MTV, foi indicado inúmeras vezes na premiação MTV Movie Awards com trabalhos ligados a gente do pop como Tina Turner e Lionel Ritchie.

Esse é o seu universo.

Em Hollywood, sempre foi pau-mandado dos estúdios. Com o sucesso estrondoso de A Rocha e Armageddon, Bay conquistou um dos maiores cachês pagos a diretores da indústria à época.

Os críticos (digo, os sérios), sempre o consideraram um diretor excessivo.

Certa feita, em entrevista ao USA Today, confessou que jamais media esforços para agradar aos chefes de estúdio. Essa postura recebeu críticas severas de colegas de profissão. Sean Penn, a exemplo, foi um deles ao comentar que Bay, quando fez Pearl Harbor, parecia uma criança na Disney.  Bay disse ainda que um bom filme para ele “é aquele que deixa os investidores satisfeitos”.

A verdade é que com o seu toque de Midas infanto-juvenil, tudo o que ele toca, por mais sério que possa parecer – como se isso fosse possível, mas vá lá – , se converte em algodão-doce em parque de diversões.

Em se tratando de Transformers 4 – A era da extinção (2014), Bay quebra a regra da elipse e transforma o filme inteiro em um único e plastificado pôr do sol. Com relação ao sol, há de se reparar no filme, parece estar sempre se pondo, dourado e infinitamente.

É a fascinação de Bay pela luz edulcorada, publicitária, falsete.

 

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