Billy Wilder: Kinossaurus Rex

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Aposentado desde 1981 quando lançou sua última comédia Amigos, Amigos, Negócios à Parte, e falecido em 2002, Billy Wilder nunca saiu inteiramente de cartaz.

Uma retrospectiva de suas obras cinematográficas na melhor sala de cinema da cidade tem por objetivo apenas devolvê-lo à luz dos holofotes.

Rever Billy Wilder e em especial seu Pacto de Sangue (1944) em tela grande é sempre um grande prazer.

O diretor sintetiza toda a essência do gênero film noir, que além de manter o foco dramático na perspectiva dos criminosos – e não da lei -, carrega consigo todo um cruel painel da psicologia nacional americana após a Grande Depressão.

As partituras musicais marcantes do lendário Miklos Rosza dão o tom para que a femme fatale Barbara Stanwyck revele sua extrema habilidade em nos apresentar um dos estudos de vilania definitivos do cinema.

A genialidade de Wilder remonta Viena do início do século passado como repórter jornalístico de um insignificante vespertino aos 19 anos, a Berlim dos anos 20 e finalmente, a Hollywood na era de ouro do cinema.

Dirigiu uma constelação de atores e atrizes de apelo e renome artístico. Audrey Hepburn, Humphrey Bogart, Marlene Dietrich, Marilyn Monroe, entre outros.

Com seis estatuetas Oscar perfiladas na estante de seu apartamento do Wilshire Boulevard em Westwood, além das diversas premiações recebidas em Veneza, Cannes e Berlim, o lépido Wilder confessou pouco antes de descer à sepultura prematuramente aos 95 anos que a única coisa que se orgulhava realmente era de seu nome ter aparecido nas palavras cruzadas do New York Times. “Duas vezes. Uma vez, no 17 horizontal. Outra, no 21 vertical.”

 

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Werner Herzog e o Novo Cinema Alemão

Anões

 

Nas décadas de 1940 a 1950 houve um enorme hiato no cinema germânico.

O cinema alemão estava condenado a uma certa estagnação artística que ainda seguia o padrão moralista e conservador do estúdio UFA (Universum Film A. G.), que por sua vez, seguia à risca as diretrizes do Estado com filmes característicos da cultura germânica, além de propaganda do governo, e ainda com obras que serviam ao propósito de educação da nação.

Dessa forma, a missão oficial da UFA era fazer a divulgação das idéias do Estado, elevar o nível da produção doméstica e acima de tudo, superar a eficácia do produto estrangeiro.

Esse modelo oficial de cinema tão em voga a partir de 1917 na Alemanha, fez com que uma grande parcela do público desaparecesse das salas.

Mais tarde, no decênio de 1940, a predileção do público era para assuntos leves e descompromissados, preferindo ignorar a padronização do cinema, bem como os temas do presente e os traumas de uma guerra recentemente encerrada.

O distanciamento de uma perspectiva crítica do cinema no pós-guerra levou Werner Herzog juntamente com Rainer Werner Fassbinder e Win Wenders (o famoso triunvirato de diretores germânicos) a formar o chamado Novo Cinema Alemão.

No começo da década de 1960, alguns diretores assinam o Manifesto de Oberhausen. A declaração tinha como objetivo fundamental, recriar a cinematografia alemã a partir do zero.

Um dos mais proeminentes diretores desse movimento foi Werner Herzog.

Nascido Werner Herzog Stipetic em Munique, o diretor passou uma infância financeiramente estéril na Baviera. Estudou Literatura e posteriormente História nos Estados Unidos através de uma bolsa de estudos. Aos desessete anos fez uma tentativa frustrada de rodar um filme sobre a reforma penitenciária nacional. No ano posterior, foi ao Sudão durante a crise política do Congo. Viajou o mundo e fez filmes onde esteve. Trabalhou para a TV com documentários além de dirigir óperas. Escreveu poemas publicados na renomada revista Akzente e publicou os roteiros de todos os seus filmes.

A predominância de sua cinematografia é a estética do delírio gótico a exemplo de O Enigma de Kaspar Hauser (1974), uma obra que discute os cruéis e reacionários mecanismos de adaptação da sociedade com Bruno S. no papel central, e que na vida real foi filho não desejado de mãe prostituta e que passou a maior parte de sua vida em hospitais psiquiátricos;  A Cólera dos Deuses (1972) sobre a expedição liderada pelo espanhol Pizarro à Amazônia na busca da mítica cidade de Eldorado; um filme tão hipnótico quanto perturbador rodado do lado peruano da Amazônia com um Klaus Kinski no papel do atormentado e enlouquecido Aguirre; e finalmente, Nosferatu – O Vampiro da Noite (1979), que é a refilmagem do clássico Expressionista de 1922 dirigido pelo reputado Frederich Wilhelm Murnau. Nessa obra, Herzog elimina os contornos Expressionistas do original: a iluminação chiaroescuro, os cenários distorcidos em pé de igualdade com a exteriorização das agruras existenciais, e ainda insere uma releitura pessoal do que fora o Nosferatu silencioso dos anos 20.

Já em Os Anões Também Começaram Pequenos (1970),  o diretor alemão versa basicamente sobre a instauração de uma revolta popular de anões dentro de uma instituição comandada pela mão-de-ferro de um outro anão com pinta de déspota.

Num mundo onde todos são anões, essa obra é sobretudo um tratado metafórico de alusões arquetípicas sobre as minorias sociais, os marginalizados e os diminuídos (moralmente).

O tema da sujeição e do desprezo do homem para com o homem, é de certa forma o carro-chefe de grande parte do que circunda a obra do alemão Werner Herzog; seja no vampiro esquecido pela eternidade em Nosfertau; no homem-cobaia Kaspar Hauser, ou na insanidade solitária e primitiva do conquistador espanhol Don Lope de Aguirre em A Cólera dos Deuses.

 

 

 

 

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