Formalismos no cinema

argel

 

Uma questão de travelling

Jacques Rivette, da cúpula Cahiers du Cinema, influente publicação de crítica cinematográfica francesa, chamou o cineasta romano Gillo Pontecorvo de formalista por causa de um travelling.

Vai ver é birra.

Pontecorvo lutou francamente contra o colonialismo francês na África. A questão argelina, ainda que esquecida, é uma página negra na história da França.

Ficou-se provado que um grupo de paraquedistas liderados por um certo Jacques Massu (fascista, segundo Jean-Paul Sartre), usaram de tortura para arrancar informações. Vide A Batalha de Argel (1965). Pensem o que pensarem: Gillo Pontecorvo não tem rival.

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A volta do lagarto atômico da Toho

godzilla

 

A mera possibilidade de uma hecatombe nuclear após os bombardeios atômicos em Hiroshima e Nagasaki no Japão em 1945, geraram não apenas um sentimento de medo e desolação naquele país, mas o assunto foi também tema, anos depois, de produções de baixo orçamento do então engatinhante e popular gênero kaiju.

Nesses filmes kaiju, monstrengos mutantes enormes criados através de acidentes radioativos devastavam cidades japonesas deixando vestígios de destruição por onde passavam.

Godzilla é a criação de um ser assustador devido à exposição à radioatividade que surge num contexto de um povo que não havia superado o horror da bomba atômica. Os próprios japoneses transformaram seu medo em filme de terror e eis Godzilla, um bicho horripilante que dizima o Japão num piscar de olhos.

Godzilla (ou Gojira como é chamado por lá; mistura de “gorila” e “baleia”) é um destes kaiju, concepção da Toho Pictures em 1954, um descomunal réptil de presas poderosas e placas ósseas de um estegossauro e que cospe rajadas radioativas através da bocarra ancestral.

Este novo Godzilla ganha pontos por ser uma surpresa deliciosa e literalmente aterradora. Estamos aqui falando de bravatas titânicas como nos velhos tempos. Nesse caso, o nosso velho lagartão gorducho versus dois bichões pré-jurássicos (um macho e uma fêmea) que ameaçam a humanidade.

Thomas Tull, produtor do longa, sempre possuiu predileção por adotar franquias arruinadas e recriá-las. O sucesso é sempre certo. Vide a cinesérie Batman (sucateadas por Joel Schumacher) e agora Godzilla (assassinada por Roland Emmerich em 1998 com sua iguana insalubre e indecorosa).

Outra coisa: esqueçam o cast “humano”. Eles não são lá de grande relevância.

O ponto aqui são as belíssimas sequências de destruição e, claro, o elenco de bichões que agradam. E muito.

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